quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Dia de calor

Neste dia de calor de Agosto a história repete-se: fogos e mais fogos postos por mão criminosa. Hoje estamos a viver mais um dia infernal para Portugal.
A grande velocidade vai desaparecendo o nosso património natural. Cerca de um terço do continente português está ameaçado pela desertificação: é o avanço do deserto norte africano para norte.
Não sei qual será o nosso futuro nesta planeta, mas contando com a actual velocidade de degradação dos ecossistemas é bem provável que a nossa civilização não passe do século XXI!
É espantoso ouvir os nossos jornalistas afirmarem que a causa dos incêndios é o calor! Como se a temperatura do ar fosse suficiente para causar a queima das plantas. Se assim fosse tudo arderia espontaneamente: jardins, relva, vegetação dunar, etc. Não. O calor não causa os fogos. É a mão criminosa do Homem a grande causa dos fogos em Portugal como também em muitos outros países. Os ecossistemas naturais bem equilibrados estão armados para se defenderem dos rigores climáticos. Haverá esperança?

8 comentários:

Tiago disse...

João, sou também muito pessimista em relação à viabilidade deste planeta e desta civilização, mas não tenho tanta certeza quanto à mão criminosa na maioria dos incêndios. Porque havia de ser? Quais as motivações?

Não achas que pode ser um reflexo da desertificação do interior, do mundo rural, do abandono das matas e da economia de subsistência?

Seja como for, o que mais me custa é ver os sucessivos governos a não atacar o problema de frente, na prevenção, tal como no combate. As questões ambientais deviam ser as de primeira agenda, já.

Pedro Veiga disse...

A fuga dos campos contribui de certeza para o aumento dos fogos. Mas seja qual for a causa principal, dói ver um país assim a ser derrotado pelas chamas.

Tiago disse...

Se dói...

Truta Azul disse...

Não tenho muitas dúvidas quanto à acção criminosa na grande maioria dos incêndios que assolam este país. Quer por falta de civismo e educação, quer por interesses económicos "superiores"(caramba, quem é que abre uma empresa na perspectiva de falir? O negócio do combate aéreo às chamas NUNCA poderia estar nas mãos de privados...).

Já é tempo de correr com os incompetentes e os amorais do poder...

Tiago disse...

Eu também acho vergonhosamente promíscuo haver quem possa ganhar dinheiro a apagar incêndios, mas já agora como é nos outros países assolados por fogos? Espanha, por exemplo.

Truta Azul disse...

Abstenho-me de comentar a realidade do país vizinho porque a desconheço... Sei sim que o exército tem pilotos qualificados para este tipo de incidentes, que receberam formação especializada subsidiada pelo estado e que estão em vias de perder a sua qualificação porque não têm horas de voo suficientes e o programa não teve o desenvolvimento esperado... Porquê? Porque foi o dito pelo não dito e o governo achou mais "vantajoso" entregar este "negócio" a particulares... Isto faz algum sentido?!

Tiago disse...

Nenhum.

A. disse...

De acordo com a revolta em relação à mão criminosa que ateia o fogo, aos indecentes jogos de interesses económicos, mas também essa análise tem riscos de desresponsabilização por parte do estado, dos produtores florestais, de todos nós. Há que estar consciente que infelizmente os ecossistemas já são cada vez menos naturais e sobretudo não estão nada equilibrados. A mão criminosa do homem iniciou-se há uns bons anos atrás substituindo um mosaico de carvalhais, prados, castinçais, urzais, e por aí a fora, por manchas imbecis de pinhal e eucaliptal, que ardem como um manto de fósforos... Foi a floresta que se fez para Portugal. As políticas imaturas, inconscientes e imediatistas que decorrem da não-estratégia que orientou e orienta os decisores deste país.