segunda-feira, 21 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

Vaga de calor

Agora com o novo site do Instituto de Meteorologia já é possível saber as previsões do tempo com grande qualidade.
O Anticiclone dos Açores está forte e bem posicionado este Verão. Por isso as nortadas têm sido persistentes e fortes. Agora a crista deste centro de altas pressões vai intensificar-se nos próximos dias, "puxando" o ar seco e quente vindo do Norte de África. Vamos suar um pouco mais nos próximos dias.

sinóptica 14 julho 2008
Carta de superfície para o dia 14 de Julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Os carros eléctricos

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O nosso Primeiro Ministro anda a anunciar os veículos eléctricos como uma das respostas ao choque petrolífero (Jornal Público):

Memorando entre Governo e Renault- Nissan
Sócrates: automóveis eléctricos irão pagar apenas 30 por cento do imposto automóvel

09.07.2008 - 12h20
Por Lusa, PÚBLICO
Reuters (arquivo)
EDP, Galp, Efacec, Martifer, Sonae, Jerónimo Martins e instituições financeiras são alguns dos parceiros dos carros eléctricos do futuro
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o Governo está a estudar um modelo fiscal para permitir que os futuros carros eléctricos, sem emissões poluentes, possam pagar 30 por cento do actual imposto automóvel.

O anúncio de Sócrates foi feito na cerimónia de assinatura de um memorando entre o Governo e a Renault-Nissan para a comercialização em Portugal de um veículo eléctrico a partir de 2011.

"Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30 por cento do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70 por cento uma componente ambiental. O Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente", disse.

Além de vantagens ao nível do preço, o chefe do Governo declarou que caberá ao executivo criar uma rede de infra-estruturas que permita ao consumidor abastecer sem dificuldade o seu carro eléctrico.

"Penso que em pouco tempo seremos capazes de criar essas infra-estruturas para carregar ou substituir a bateria do carro eléctrico", disse. Há várias empresas portugueses que já terão sido contactadas e que podem contribuir para acelerar a introdução de veículos eléctricos em Portugal. Desde logo, a eléctrica EDP, a petrolífera Galp, que possui centenas de postos de abastecimento de combustíveis espalhados pelo país, a empresa de equipamentos eléctricos e electrónicos Efacec, a Martifer, instituições financeiras e redes de supermercados da Sonae e Jerónimo Martins.

O primeiro-ministro demonstrou o desejo de Portugal ser o "laboratório dos futuros carros eléctricos" e de receber tanto o investimento da Renault-Nissan como de outros construtores automóveis.

O protocolo assinado com o grupo franco-japonês prevê que o Governo "proporcione as condições para que o consumidor de um veículo eléctrico não tenha qualquer desvantagem em preços ou mobilidade.

Em relação à aposta nestes veículos sem emissões poluentes, o primeiro-ministro sublinhou que "Portugal está na linha da frente desta aventura com a Dinamarca e Israel", ponto em que aproveitou para deixar uma crítica à União Europeia. "Espero que, no futuro, possamos estar acompanhados pela Europa. Lamento que a Europa ainda não tenha apostado mais neste domínio e não esteja a ser mais ambiciosa, por que não podemos continuar passivos por muito mais tempo", declarou.

De acordo com o memorando de entendimento agora assinado, o Governo português vai estudar conjuntamente com a Renault-Nissan a forma de criar condições adequadas para os veículos eléctricos serem uma oferta atractiva para os consumidores portugueses.

Caberá também ao executivo contribuir para o desenvolvimento das infra-estruturas e organizações necessárias para criar uma ampla rede de estações de carga para os veículos eléctricos, a nível nacional, assim como identificar os canais mais eficazes de comunicação e educação para sensibilizar para a importância destes modelos, que permitem reduzir as emissões.

As negociações entre o Governo e a Renault-Nissan arrancaram em Maio e com este protocolo o objectivo será promover a mobilidade com zero emissões no país.



Vamos ver o que isto dá. Oxalá dê certo mas de uma forma ambientalmente correcta em que se possam reciclar devidamente as baterias usadas nestes automóveis. A energia eléctrica também deve ser "limpa". Como temos tanto sol não será possível carregar as baterias destes futuros automóveis através da energia solar? Se assim for os lugares para estacionar mais procurados passarão a ser os que estiverem ao sol. Uma mudança radical de hábitos! O que irá ser bom é a diminuição da poluição atmosférica das cidades. Se a isto se juntarem boas políticas de desenvolvimento dos transportes públicos eléctricos então as nossas cidades caminharão no bom sentido: menos poluídas, menos engarrafadas e, consequentemente, muito mais saudáveis.

terça-feira, 8 de julho de 2008

G8

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Notícia do jornal Público

Solicitada reavaliação de moedas emergentes
G8 pede aumento rápido da produção de petróleo
08.07.2008 - 08h54 Lusa, PÚBLICO
Os dirigentes do G8 pediram hoje aos países produtores de petróleo para aumentarem “a curto prazo” as capacidades de produção e refinação, de modo a travarem a escalada dos preços nos mercados mundiais.

“Estamos muito preocupados com os aumentos do preço do petróleo, que criou riscos para a economia mundial. São necessários esforços concertados para resolver as causas subjacentes para benefício de todos”, afirmam num comunicado os chefes de Estado e de governo dos países mais industrializados do mundo, reunidos em Toyako, no Japão, desde segunda-feira.


Depois de vários dias instalados em hotéis de luxo, muito provavelmente a ingerirem pesadas refeições compostas por produtos alimentares exóticos e de primeira categoria, os senhores do G8 pedem um aumento da produção de petróleo. Está correcto, pois se boa parte da humanidade seguisse o seu exemplo, ficando hospedado em hotéis de luxo e comendo grandes refeições, nem 200 milhões barris de petróleo produzidos por dia chegariam para satisfazer as necessidades (actualmente produzem-se cerca de 85 milhões).
O grande problema é que o petróleo não se produz à semelhança dos automóveis. Não existem “fábricas de petróleo” e portanto, o aumento da disponibilidade deste hidrocarboneto no mercado não se faz com uma simples ordem de abrir mais a “torneira da fábrica”. Este recurso é extraído do subsolo e o volume que se obtém está dependente de uma enorme quantidade de variáveis. Outro problema é o facto do petróleo ser um recurso finito e tendo por base o conhecimento do volume já extraído, da velocidade de extracção actual, e da natureza geológica do nosso planeta, é bem provável que o limite de extracção diária deste recurso esteja muito próximo do seu máximo. Em poucas palavras, o pico de extracção (ou “peak oil”) está prestes a ser atingido. Esta é uma tese sustentada por inúmeros especialistas, embora o debate acerca do momento em que este pico possa ocorrer seja ainda alvo de algumas incertezas temporais.
Os senhores do G8 sabem que para manter um padrão de vida ao estilo ocidental rico só é possível graças à disponibilidade de grandes quantidades de petróleo (e de outros recursos materiais). A energia contida neste recurso é formidável! Qualquer ser humano com um rendimento médio de um alemão ou de um luxemburguês, comodamente instalado num hotel em Basileia, consegue tomar um pequeno-almoço recheado com caviar russo e ir jantar lagosta suada, no mesmo dia, num restaurante de luxo em Auckland, na Nova Zelândia!
Isto tudo graças a quê? Aos aviões supersónicos muito desenvolvidos tecnologicamente mas movidos a querosene que é um derivado do petróleo!
Não há milagres! É bom que a humanidade se convença disso. Uma vez atingido o pico de extracção o petróleo começará a rarear nos mercados e o seu preço subirá exponencialmente, porque a lei da oferta e da procura é inultrapassável.
Só há uma solução: diminuir o consumo. A diminuição do consumo passa por muitas medidas, como por exemplo a reciclagem de produtos derivados do petróleo (são tantos!), ou a implementação de meios de transporte colectivos movidos a energia eléctrica (não produzida a partir da queima de hidrocarbonetos). As cidades têm que se organizar para evitar a presença constante de engarrafamentos diários que consomem elevadíssimas quantidades de combustíveis fósseis. As nossas cidades estão a anos-luz de serem sustentáveis. Estamos à espera de quê?

domingo, 6 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pirenéus

Este é um dos locais da Terra que gostaria de voltar a visitar. Estas montanhas são imponentes, majestosas e constituem um dos últimos refúgios da natureza da bacia mediterrânica em seu estado (quase) puro. Os percursos de montanha feitos a pé são muito recomendáveis para todas as idades e estados de espírito. Aqui pode aprender-se o valor de uma árvore ou de um simples arbusto. Também se podem contemplar as formas de relevo moldadas pelos glaciares gigantes já desaparecidos.
Aqui pode respirar-se fundo, a plenos pulmões!


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terça-feira, 1 de julho de 2008

AIE (Agência Internacional da Energia)

Hoje no sítio do jornal Público:

China e Índia pressionam mercado energético
Petróleo: agência de energia revê procura em baixa e mantém instabilidade de preços
01.07.2008 - 15h12
Por Lusa

A Agência Internacional da Energia (AIE) reviu hoje em baixa as expectativas relativas à procura mundial de petróleo nos próximos cinco anos, mas avisou que tal não vai impedir que o mercado se mantenha sob tensão.

Na sua informação anual de previsões de médio prazo, a AIE prevê que o abrandamento da economia causará um menor crescimento do que esperado tanto para este ano como para o próximo, e que tal coincidirá com um leve aumento das capacidades de extracção de crude, que variará entre os 1,5 e os 2,5 milhões de barris diários até 2010.

No entanto, a AIE prevê uma nova diminuição deste volume a partir de 2010, que se situará em valores mínimos inferiores a um milhão de barris diários de crescimento em cada um dos anos seguintes, precisamente quando se espera uma nova aceleração do consumo.

Consequência do anterior, a margem excedentária de produção aumentará até o tecto de 4,2 milhões de barris diários em 2009 antes de baixar para níveis mínimos, por volta de um milhão de barris, se não forem postos em marcha projectos de exploração adicional.

A AIE sublinha que os preços elevados do petróleo se justificam pelas condições fundamentais do mercado e refuta o argumento de quem pretende explica-los por movimentos especulativos.

A especulação - argumentam os autores do estudo - pode pesar na cotação pontual do crude, mas não se pode manter durante um largo período de tempo sem a existência de "evidentes desequilíbrios", e a avaliação actual das reservas físicas prova que não tem havido uma acumulação de reservas com fins especulativos.

As causas da escalada dos preços estão na margem estreita que há entre a oferta e a procura, nas limitações das capacidades de refinação e num consumo particularmente forte de um número reduzido de derivados do petróleo, em particular dos destilados médios.

A AIE afirma ainda que a evolução dos preços tem em boa parte a ver com os resultados limitados dos produtores que não pertencem à Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) no aumento da oferta de crude, uma tendência que deverá manter-se nos cinco próximos anos.

Para o futuro, a AIE, que reúne os principais países consumidores de energia membros da OCDE, calcula que a procura mundial de crude aumentará a um ritmo médio de 1,6 por cento entre 2008 e 2013, o que significa que este último ano vai situar-se nos 94,14 milhões de barris por dia.

Cerca de 90 por cento deste aumento virá de três regiões - Ásia, Médio Oriente e América do Sul - e são a China e a Índia representam quase a metade. Por seu lado o consumo dos países desenvolvidos vai manter-se praticamente inalterado.

A divergência na evolução de uns e outros países acabará por traduzir-se no horizonte de 2015, num consumo total de crude nos países emergentes praticamente a par das "economias maduras".

Os autores do estudo sublinham que os biocombustíveis manterão um crescimento significativo e passarão do equivalente de 1,35 milhões de barris diários este ano para 1,95 milhões em 2013.


Esta frase As causas da escalada dos preços estão na margem estreita que há entre a oferta e a procura, nas limitações das capacidades de refinação e num consumo particularmente forte de um número reduzido de derivados do petróleo, em particular dos destilados médios diz tudo sobre a realidade do problema. O petróleo é um recurso finito, muito versátil, útil e raro na natureza. A extracção é cara e cada vez mais difícil. Quanto mais as economias crescem maior é a dependência em relação a ele. Milagres não há!
Só uma redução drástica no seu consumo poderá inverter a tendência suicida da economia mundial.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Upa, upa e não pára!

O "ouro negro" continua a bater recordes de preço. Os motivos são múltiplos e a preocupação é grande. Segundo uma notícia do diário económico:

Em Londres e Nova Iorque Petróleo bate novos recordes acima dos 142 dólares
Mafalda Aguilar

Os preços do petróleo continuam imparáveis, tendo atingido novos recordes nos mercados internacionais, acima dos 142 dólares, devido à desvalorização da moeda norte-americana.

Às 13h06, o barril de Brent (petróleo de referência na Europa) para entrega em Agosto era transaccionado no ICE de Londres a subir 1,12 dólares para so 140,95 dólares, depois de ter sido já negociado num novo recorde nos 142,13 dólares.

À mesma hora, o contrato de Agosto do barril de West Texas Intermediate (petróleo de referência nos EUA) era negociado no NYMEX de Nova Iorque a subir 1,93 dólares para os 141,57 dólares, tendo marcado um novo máximo de sempre nos 142,26 dólares.

Segundo afirmou à Bloomberg um especialista, a subida dos preços "é uma combinação do mau comportamento dos mercados acconistas, bem como a incorporação do risco sobre o que o BCE vai fazer na próxima semana [em termos das taxas de juro]"

A escalada do 'ouro negro' começou ontem, com os investidores a comprarem matérias-primas como protecção contra o dólar fraco, e depois de a Líbia ter ameaçado cortar a produção e o presidente da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) ter afirmado que os preços da matéria-prima poderão chegar aos 170 dólares durante o Verão.

As cotações do petróleo valorizaram quase 50% este ano e muitos bancos e a OPEP prevêem mais ganhos.

Os especialistas explicam que a depreciação do dólar face ao euro está a levar os investidores a apostarem em matérias-primas, como o petróleo e o ouro, matérias-primas usadas habitualmente usadas como protecção contra a inflação.


Se o Trichet mandar subir a taxa de juro de referência do Euro de 4 para 4,25% na próxima semana, o petróleo rapidamente chegará e ultrapassará os 150 dólares por barril...
Isto é um ciclo infernal que irá levar ao colapso da economia mundial e os mais fracos estão na linha da frente. Um só recurso energético tem capacidade para abalar toda a economia mundial. O ano de 2009 vai ser bem difícil para as economias mundiais que não encontram forma de estancar os efeitos especulativos sobre os preços das matérias primas em geral. Isto corrompe por completo o funcionamento livre dos mercados. Será legitima a intervenção concertada dos estados para acalmar os ânimos mais exaltados dos investidores e especuladores?
Existem muito perigos à espreita. Desde já o aparecimento de novos conflitos, a intensificação das guerras em curso e um enorme número de problemas relacionado com as populações afectadas. Estará a Europa a salvo disto? Penso que não. A começar pela má cooperação o poder financeiro e o poder político, isto porque muitas vezes o poder político está refém do financeiro, veja-se o triste exemplo de Portugal.

Novo aeroporto: venha o bom senso!

Segundo uma notícia do jornal Público:
Por Luísa Pinto e Rui Gaudêncio
Especialistas em transportes recomendam "prudência" face a novo aeroporto
Aeroporto de Alcochete deve ser feito de forma faseada, insistem técnicos

Já era uma área em que as previsões eram de difícil certeza, mas com a crise dos combustível, as perspectivas de crescimento do transporte aéreo ficaram ainda mais baralhadas. "Flexibilidade" na resposta, é o que recomendam os peritos.

A actual crise do aumento dos combustíveis irá, inevitavelmente, trazer profundas alterações à indústria da aeronáutica, por isso, recomenda a prudência, que quem tiver a responsabilidade de planear novos aeroportos o faça de uma maneira flexível, e modular, que permita dar resposta às necessidades futuras.

Por palavras diferentes, e em momentos de intervenção diferentes, vários especialistas em transportes demonstraram hoje, num seminário organizado pelo MIT-Portugal na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), uma grande proximidade de ideias. Entre eles, José Manuel Viegas, do Instituto Superior Técnico, Álvaro Costa, da FEUP, e Richard Neufville, do MIT- Massachussets Institute of Technology.

Tratam-se de peritos que estiveram de alguma forma envolvidos na discussão do projecto do novo aeroporto de Lisboa. Os dois primeiros, na discussão da localização: com Viegas a defender, num estudo da Confederação da Industria Portuguesa, a opção Alcochete; e Álvaro Costa a defender, num estudo da Associação Comercial do Porto, a opção Portela +1 1, sendo o “mais um” uma solução na margem sul. Richard Neufville teve também intervenção na discussão, mas numa fase posteriori, e já como consultor do Asterion, o consórcio que agrega as principais empresas nacionais na corrida à construção do aeroporto de Lisboa e à privatização da ANA.

O crescente preço dos combustíveis já está a ter reflexos nas taxas de crescimento da indústria aeronáutica e na procura dos aeroportos. Kenneth Button, professor da Universidade George Mason e um reputado especialista em sistema de transportes aéreos, também presente no seminário do MIT-Portugal, contabilizou em quatro por cento as actuais quebras de consumo na indústria da aviação civil.

“A economia funciona assim em todo o lado. Aumento os preços, há ajustes nos comportamentos. A quebra da procura é inevitável”, teoriza José Manuel Viegas, acrescentando que, apesar de as taxas de crescimento do transporte aéreo não virem a ser as que foram previstas – “previsões essas que chegaram ao impensável número de 40 milhões de passageiros em Lisboa, uma completa utopia”, reafirma” – continua a ser importante construir um novo aeroporto em Lisboa. “A Portela não aguenta mais, porque tem erros brutais. E para resolver esses erros, é preciso ter uma nova infra-estrutura que a substitua, e que possa crescer consoante as necessidades”, defendeu.

Um dos pontos mais trabalhados no estudo desenvolvido por Álvaro Costa prendeu-se com a falibilidade das previsões de tráfego, dizendo o perito em transportes que, no actual momento, é difícil antever como vai evoluir a indústria da aviação civil e mesmo o actual domínio das low-cost. O próprio conceito do que é uma companhia área low-cost merece estudo, como aquele que está a ser desenvolvido para a Comissão Europeia e que, segundo Rosário Macário, do IST, já identificou “sete tipos de conceitos low-cost” que estão actualmente a ser desenvolvidos pelas companhias aéreas.

“Mudança de paradigma”

Na guerra pela sobrevivência que tomou conta das companhias aéreas – quer das companhias low cost, que tiveram aparições fulgurantes, mas que sucumbindo face às mais competitivas, quer das companhias de bandeira tradicionais – Richard Neufville recomenda uma mudança de paradigma. “Tudo o que aprendemos no século XX é para esquecer. Já não interessa as coisas muito desenvolvidas tecnologicamente, ou muito bonitas e luxuosas. Interessam as coisas funcionais, e das quais se possa retirar uma maior rentabilidade e um maior rácio custo/proveito”, afirmou.

E citando vário exemplos internacionais, demonstrou quão mais eficaz poderá ser uma estrutura simples e flexível, que permita dar resposta às necessidades que venham a ser sentidas. Os três grandes desafios do futuro são, para Neufville, pensar em instalações de design flexível, em aumentar as capacidades das pistas, e em reduzir os custos de construção dos terminais. “Em cada um destes três aspectos dever-se-á reduzir os custos em cerca de 25 por cento”, defendeu.

Neufville não se quis comprometer sobre se será essa a recomendação que vai dar ao consorcio português que já se posicionou na corrida á construção e exploração do novo aeroporto, e se lhes sublinhará a vantagem de construir apenas uma pista, e só construir a segunda quando para tal houver necessidade. Noutro momento do encontro, José Manuel Viegas garante que sim, que o modelo de negocio do novo aeroporto é compatível com uma construção faseada e modular – “os privados são os primeiros a não quererem construir elefantes brancos”.

Richard Neufville relembra que, antes da discussão do lay-out do novo aeroporto de Lisboa, sobre quantas pistas e em que orientação devem ser desenhadas, há questões de "suma importância" a resolver: "é preciso definir a forma como vai ser estabelecida a relação entre a autoridade [o Estado, e a ANA] e o privado", lembrou Neufville, acrescentando que saber o que vai ser privatizado e como é que vai ser feita a regulação é de "suma importância".

Neufville não quis dizer qual defende ser a melhor solução para o sistema aeroportuário nacional, e de que forma deve ser feita a entrada dos privados. Limitou-se a lembrar que "há muitos exemplos de países que têm dificuldades por causa de terem vários aeroportyos a competirem entre si", mas também "há exemplos do contrário". "São decisões muito importantes aquelas que têm de ser tomadas", insistiu, recusando-se a dar a sua opinião.

Menos dúvidas têm Alvaro Costa e José Manuel Viegas. Ambos defendem que o provado que construir o aeroporto de Lisboa deve ficar exclusivamente com a sua exploração. José Manuel Viegas diz que "a concorrencia entre aeroportos é saudavel" e que tal como em outros sistemas de transporte, o Estado pode vir a ser "obrigado" a suprir algumas necessidades nos aeroportos deficitários: "mas é melhor que esses apoios/subsidios sejam dados por cima da mesa, às claras", defendeu.
Álvaro Costa subscreve a opinião, acrescentando que, "pior do que um monopólio público, só mesmo um monopólio privado".

O Governo ficou de definir, até ao final deste mês, qual vai ser o perímetro de privatização da ANA, para posteriormente apresentar o modelo de negócio em que vai assentar a construção do novo aeroporto de Lisboa.

Recorde-se que ministros das finanças e obras públicas apresentaram, há já mais de dois anos, um modelo de transacção que entregava aos privados a maiordia do capital da ANA, numa percentagem ainda a definir. Depois, surgiu a possibilidade de a gestão do aeroporto Sá Carneiro também poder ser privatizada. A Junta Metropolitana do Porto mandou estudar a questão e, do lado dos privados, também a Soares da Costa e Sonae estão a estudar em conjunto uma proposta a entregar ao Governo



Estas opiniões estão correctas e ainda bem que os especialistas na matéria as anunciam. Agora falta o papel fundamental do governo: ouvir estes especialistas e executar os projectos tendo em mente que o crescimento vertiginoso do transporte aéreo é assunto do passado e não voltará a repetir-se na história!
É urgente a adaptação das nossas vidas ao "peak oil" - "The term Peak Oil refers to the maximum rate of the production of oil in any area under consideration, recognising that it is a finite natural resource, subject to depletion.",Colin Campbell